Regras e pontuação na ginástica rítmica: guia completo 2025-2028

Pista e Campo
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Antes de cada temporada, quem treina ginástica rítmica precisa responder três perguntas. Em que categoria a ginasta vai competir. Quantas dificuldades a série dela pode ter. Que aparelho ela vai usar, e de que tamanho. As respostas existem, e cada uma tem um dono.

A FIG, federação internacional de ginástica, publica o Código de Pontuação e define como a nota é calculada. A CONSUGI, que organiza a ginástica na América do Sul, adapta as exigências para as categorias mais novas: menos dificuldades e aparelhos mais leves. Cada campeonato brasileiro tem ainda o seu regulamento, com os detalhes daquela competição. Já as medidas dos aparelhos ficam num documento só delas, as Normas de Aparelhos da FIG. É por isso que dá para estar com o Código em dia e mesmo assim comprar um arco do tamanho errado.

Este guia responde as três perguntas na ordem, com as tabelas dos documentos oficiais em vigor no ciclo 2025-2028.

Quem define as regras da ginástica rítmica?

A Federação Internacional de Ginástica (FIG) publica, a cada ciclo olímpico, um Código de Pontuação para cada modalidade, e é esse documento que técnicos e atletas usam para montar as séries. Na ginástica rítmica, o Código de Pontuação 2025-2028 vale de 1º de janeiro de 2025 a 31 de dezembro de 2028 e recebeu emendas aprovadas pelo Comitê Executivo da FIG no início de 2025.

No Brasil, a Confederação Brasileira de Ginástica (CBG) reúne na página de Regulamentos Técnicos de GR o Código da FIG, o Regulamento GR 2026-2028 da CONSUGI (Confederação Sul-Americana de Ginástica), os regulamentos das competições nacionais de 2026 (Brasileiro Individual e de Conjuntos, Torneio Nacional e Regional, Copa Brasil de Conjuntos, Troféu Brasil e categoria Mirim), além de regras de vestuário, idades de competição e um documento de perguntas e respostas atualizado em agosto de 2026. Os regulamentos nacionais seguem o Código da FIG e se baseiam nas regras da UPAG (União Pan-Americana) e da CONSUGI.

As medidas dos aparelhos ficam num documento à parte, pouco conhecido e decisivo: as Normas de Aparelhos da FIG. A edição 2026 revisa a de 2023 e está em vigor desde 1º de junho de 2026. Quando há contradição entre essas normas e o Código de Pontuação, prevalecem as Normas de Aparelhos. É essa regra de precedência que resolve a maior parte das dúvidas de compra e de medição em competição.


Como é calculada a nota D na ginástica rítmica?

Na ginástica rítmica, a nota D soma a dificuldade corporal (saltos, equilíbrios e rotações) com a dificuldade de aparelho, que pontua lançamentos, retomadas, rolamentos e trocas. São quatro árbitras de dificuldade, duas para cada tipo; cada dupla apresenta um valor comum e as duas notas são somadas. Essa pontuação não tem limite máximo.

No ciclo 2025-2028, a dificuldade corporal no adulto teve o limite reduzido de 9 para 8 elementos, e a de aparelho passou de 20 para 15. O objetivo declarado foi reduzir o número de movimentos exigidos e abrir espaço para o lado artístico. As séries individuais adultas duram de 1min15s a 1min30s e são apresentadas com música numa área de 13 x 13 metros.

Como é calculada a nota A (artístico) na ginástica rítmica?

A nota A é exclusiva da ginástica rítmica, começa em 10 e recebe deduções de 0,30, 0,60 ou 1,00. São avaliados expressividade do rosto e do corpo, interpretação, conexões, efeitos, ritmo, harmonia entre música e movimento e uso do espaço. Quatro árbitras dão notas, a maior e a menor são descartadas, e a média das duas restantes é a nota final do bloco artístico.

Leia também: Corda de Ginástica Rítmica: como escolher o modelo ideal

Como é calculada a nota E na ginástica rítmica?

A nota E na ginástica rítmica também parte de 10 e foca na excelência técnica do corpo e do aparelho. Joelho dobrado, giro incompleto e espacate insuficiente geram descontos, assim como perder o aparelho e os passos dados para recuperá-lo. Nos conjuntos, sincronização e trocas de aparelho também pesam na execução.

Qual a diferença entre ginástica rítmica e artística?

A diferença central está na fórmula da nota: a ginástica artística soma D + E, enquanto a rítmica soma D + A + E, com o artístico avaliado por uma nota própria em vez de embutido na execução. As duas modalidades também diferem em aparelhos, área de solo e uso de música.

Critério Ginástica artística Ginástica rítmica
Fórmula da nota D + E (menos penalidades) D + A + E (menos penalidades)
Nota de dificuldade Sem teto; 8 elementos contam Sem teto; no adulto, corpo (até 8) + aparelho (até 15)
Execução Parte de 10 Parte de 10
Artístico Avaliado dentro da execução Nota própria, parte de 10
Aparelhos 4 (feminino: salto, paralelas assimétricas, trave e solo) / 6 (masculino: solo, cavalo com alças, argolas, salto, paralelas e barra fixa) 5 (corda, arco, bola, maças e fita)
Área de solo 12x12m 13x13m
Música Apenas no solo feminino Obrigatória em todas as séries

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Quais são as categorias da ginástica rítmica por idade?

No sistema sul-americano, a idade é definida pelo ano de nascimento, não pelo aniversário. A CONSUGI organiza as categorias de base em AC1 (8-9 anos, programa preparatório não competitivo), AC2 (10-11), AC3 (12-13) e AC4 (14 anos), além da categoria 13 anos da norma UPAG; a partir daí valem as categorias da FIG, Juvenil (14-15) e Adulto (16 ou mais). Quanto mais nova a categoria, menos dificuldades são exigidas, menor o valor máximo de cada uma e mais leves os aparelhos. A AC2 é a única categoria que trabalha com corda no individual, o que faz do comprimento proporcional à ginasta uma decisão de compra logo na estreia competitiva.

O regulamento da CONSUGI vigente foi publicado em 09/01/2026, vale para os campeonatos sul-americanos e é a base dos regulamentos nacionais da CBG, mas cada campeonato brasileiro tem seu regulamento específico, que precisa ser conferido antes de cada competição.

Quais aparelhos cada categoria usa e em que medida?

Os aparelhos mudam por categoria e por ano dentro do ciclo. Nas provas individuais adultas da ginástica rítmica usam-se arco, bola, maças e fita; a partir de 2026, os conjuntos adultos se apresentam com 5 bolas numa série e 3 arcos + 2 pares de maças na outra, formato válido até Los Angeles 2028. Nas categorias de base, os aparelhos são menores e mais leves: o arco vai de 60 a 80cm na AC2 e de 70 a 90cm na AC3, contra 80 a 90cm no Adulto, sempre com mínimo de 300g nessa última. Dentro de cada faixa ainda existe a escolha certa para a altura da ginasta. A bola segue a mesma lógica de proporção entre diâmetro, peso e tamanho da mão.

Leia também: Maça de ginástica ritimica: como escolher o tamanho e peso

Como aplicar essas regras no seu clube ou escola

Três decisões resolvem a maior parte dos problemas de regulamento: conferir a categoria pelo ano de nascimento e não pelo aniversário, comprar o aparelho na medida da categoria em que a ginasta compete e checar o regulamento específico da competição sempre que CONSUGI e FIG divergirem, como no caso do peso do arco Juvenil. Vale lembrar que os dois calendários são independentes: o Código de Pontuação é renovado a cada ciclo olímpico e pode receber erratas no meio do caminho, enquanto as Normas de Aparelhos têm edição própria, a atual em vigor desde junho de 2026.

Quando o aparelho precisa ter o selo FIG?

O selo "FIG approved" é obrigatório nas competições organizadas pela própria FIG, nos Jogos Olímpicos e nos World Games. Nesses eventos, o Código de Pontuação 2025-2028 determina, no item 9.1.2, que cada aparelho tenha o logotipo do fabricante e o selo nos locais definidos, e que nenhuma ginasta compita com aparelho não aprovado. Fora desse circuito, a regra é outra: a FIG recomenda o uso de aparelhos certificados, mas quem decide o que vale em cada competição é a entidade que organiza.

No Brasil, cabe à CBG aprovar o uso de equipamento não oficial da FIG nos eventos que organiza. Na prática, treino, escolinha, competição escolar e boa parte do calendário de base não exigem selo FIG. O que é cobrado, e efetivamente medido, é a medida do aparelho.

Para quem monta um espaço de treino, o que muda o dia a dia é isto: treinar com aparelho nas mesmas medidas da competição evita adaptação na hora da prova e reduz o risco de lesão. Nas categorias de base, o ponto crítico é usar o tamanho certo para a idade, e não o tamanho adulto para durar mais. A CONSUGI mantém a medição dos aparelhos nos torneios oficiais, e é ali que o tamanho errado aparece. O mesmo cuidado vale para os dois aparelhos com mais variação por categoria: as maças, de 40 a 50 cm e mínimo de 150 g cada no Juvenil e no Adulto, e a fita, que vai de no mínimo 4 m na AC3 a no mínimo 6 m no Adulto.

Isso significa escolher arco, bola, maças e fita de acordo com as medidas e especificações técnicas indicadas para cada categoria. A Gracios comercializa aparelhos de ginástica rítmica dentro dessas especificações, com opções de medidas e pesos adequados às diferentes fases e níveis da modalidade.

Veja a linha Gracios de aparelhos de ginástica rítmica da Pista e Campo, com arcos, bolas, maças e fitas nas medidas de cada categoria.

Fontes oficiais

Perguntas frequentes

Qual é a nota máxima na ginástica rítmica?

Não existe nota máxima total na ginástica rítmica. O artístico e a execução partem de 10 pontos cada e só descem, mas a dificuldade não tem teto: ela depende do valor dos elementos que a ginasta soma, até o limite de 8 dificuldades corporais e 15 de aparelho na categoria adulta.

Qual a diferença entre as notas D, A e E na ginástica rítmica?

A nota D mede a dificuldade da série, somando elementos corporais e de aparelho, e não tem teto. A nota A avalia o lado artístico: expressividade, interpretação, uso do espaço e harmonia com a música. A nota E mede a execução técnica. A e E partem de 10 e sofrem deduções; a D é construída de baixo para cima.

Quantos aparelhos existem na ginástica rítmica?

São cinco aparelhos na ginástica rítmica: corda, arco, bola, maças e fita. No ciclo 2025-2028, as provas individuais adultas usam apenas quatro deles: arco, bola, maças e fita. A corda segue em uso nas categorias de base, como na AC2.

Quanto tempo dura uma série de ginástica rítmica?

A série individual dura de 1min15s a 1min30s, segundo o Código de Pontuação da FIG. As séries de conjunto duram de 2min15s a 2min30s e as de trio, de 1min45s a 2min00s. No programa preparatório AC1 os tempos são menores, entre 1min00s e 1min45s conforme o tipo de série.

Com que idade a ginasta começa a competir na ginástica rítmica?

No sistema sul-americano da CONSUGI, a primeira categoria competitiva é a AC2, de 10 a 11 anos. Antes disso existe o programa preparatório AC1, para meninas de 8 e 9 anos, que não é competitivo em nível sul-americano e funciona como guia de formação. A idade vale pelo ano de nascimento.

Qual o tamanho do arco para cada idade?

Na AC2 (10-11 anos), o arco tem de 60 a 80 cm e no mínimo 240 g. Na AC3 (12-13 anos) e no Juvenil, de 70 a 90cm. No Adulto, de 80 a 90 cm com no mínimo 300 g. O diâmetro é medido internamente e o arco precisa manter a forma sem deformar durante a série.

Por que algumas dificuldades são proibidas para as ginastas mais novas?

Nas categorias AC2 e AC3, certos saltos, equilíbrios e giros de alta complexidade são vetados para priorizar a base técnica e a segurança. Se a ginasta apresentar um deles, a dificuldade não é contada e ela ainda perde 1,00 ponto. Na AC2, equilíbrios com "tour lent" também são proibidos.

Onde encontro as regras oficiais de ginástica no Brasil?

Na página de Regulamentos Técnicos de GR da CBG, que reúne o Código de Pontuação da FIG, o Regulamento GR 2026-2028 da CONSUGI, os regulamentos das competições nacionais de 2026 e um documento de perguntas e respostas atualizado em agosto de 2026. As Normas de Aparelhos ficam no site da FIG, em documento separado.

Ana Karolina Oliveira
Ana Karolina Oliveira
Jornalista e Criadora de Conteúdo da Pista e Campo, com foco em esportes, performance e bem-estar