Escolinha de Atletismo Flamengo: a história de Ferreirinha
A Escolinha de Atletismo Flamengo é um projeto esportivo criado em 2006 pelo professor Antônio Ferreira Bonfim Filho, o Ferreirinha, no povoado de Flamengo, em Jaguarari, a 409 km de Salvador, no sertão da Bahia. O projeto começou com uma única aluna, a filha do professor, Náviny e, em 2012, já reunia mais de 100 crianças e adolescentes treinando em uma pista improvisada de terra batida.
Em 2014, a história chegou ao quadro "Um por Todos, Todos por Um", do Caldeirão do Huck, e a comunidade construiu em mutirão uma nova sede, entregue em maio daquele ano. A Pista e Campo participou da ação doando materiais esportivos.
Mais de uma década depois, a escolinha segue ativa: em julho de 2026, a EAF Jaguarari disputou o 45º Troféu Brasil Interclubes de Atletismo, em São Paulo, onde Núbia de Oliveira Silva conquistou o tricampeonato consecutivo dos 10.000 metros rasos.
Quem é o professor Ferreirinha?
Ferreirinha é Antônio Ferreira Bonfim Filho, professor e treinador responsável pela Escolinha de Atletismo Flamengo, projeto de atletismo desenvolvido no povoado de Flamengo, em Jaguarari, no sertão da Bahia. Ele comanda a iniciativa desde 2006 e continua à frente da equipe, hoje identificada como EAF Jaguarari, que disputa competições nacionais de alto rendimento.
Quando começou, Ferreirinha atuava como professor de educação física sem formação concluída na área e sem apoio institucional. Em uma região onde o atletismo era pouco conhecido, apostou justamente nessa modalidade. Em entrevista ao globoesporte.com em setembro de 2012, ele resumiu que o atletismo foi a maior aposta da vida dele, e que fez a comunidade ficar conhecida pelo atletismo, e não pelo futebol.
Sua história ganhou repercussão nacional em 2014, no quadro "Um por Todos, Todos por Um", do Caldeirão do Huck. Segundo a publicação do programa, Ferreirinha abriu mão de parte do conforto que poderia oferecer à própria família para se dedicar ao desenvolvimento esportivo das crianças da comunidade. Ele tem filhos biológicos e adotados, e em 2012 planejava reformar a casa para adotar mais uma aluna do projeto, que morava longe da pista e queria treinar antes e depois da escola.
Como nasceu a Escolinha de Atletismo Flamengo?
A Escolinha de Atletismo Flamengo nasceu em 2006, quando Ferreirinha passou a treinar atletismo com sua filha Náviny no povoado de Flamengo. Outras crianças da comunidade logo procuraram o professor para experimentar a modalidade, e a atividade familiar virou um projeto esportivo comunitário aberto a quem quisesse participar.
Náviny se tornou a primeira corredora de Flamengo e a primeira revelação da escolinha. Em setembro de 2012, aos 13 anos, foi a única entre os 12 jovens do grupo a se classificar para uma final nas Olimpíadas Escolares, na disputa dos 1.000 metros, em Poços de Caldas (MG). Ela contou ao globoesporte.com que começou a treinar aos cinco anos e que, no início, voltava para casa sem forças, carregada pelo pai.
O crescimento em número de alunos foi rápido: seis anos após a fundação, o projeto reunia mais de 100 crianças e adolescentes de 8 a 17 anos. Para entender as provas que compõem a modalidade, corridas, saltos, lançamentos, arremessos e marcha, vale conhecer o guia completo de atletismo da Pista e Campo.
Como era a estrutura de treino antes da nova sede?
Antes de 2014, os treinos da Escolinha de Atletismo Flamengo aconteciam em uma pista improvisada, construída pelo próprio Ferreirinha em um terreno baldio que ele limpou. Era terra batida, com pedras, buracos e mato no caminho, sem raias demarcadas, sem piso sintético e sem área regulamentar para saltos e lançamentos.
Pneus velhos, colchões e pedras compunham a estrutura de treinamento, no lugar de blocos de partida, barreiras, colchões de amortecimento e implementos oficiais.
A precariedade não se limitava ao esporte. Em 2012, o globoesporte.com registrou que a escola frequentada pelos alunos funcionava em três casas alugadas, com salas pequenas e pouco arejadas, sem sala de informática ou biblioteca. O objetivo declarado de Ferreirinha na época era usar a visibilidade do esporte para conseguir um colégio novo para a comunidade.
O que chamou a atenção do Caldeirão do Huck no projeto de Ferreirinha?
Em 2014, a história de Ferreirinha chegou ao quadro "Um por Todos, Todos por Um", do Caldeirão do Huck, por unir esporte de base, iniciativa individual e mobilização comunitária em uma região com pouca estrutura esportiva. A proposta do quadro era apresentar pessoas que desenvolviam iniciativas capazes de transformar suas comunidades e mostrar como a mobilização coletiva poderia ampliar esses projetos.
No caso da Escolinha de Atletismo Flamengo, o programa encontrou um projeto que já tinha oito anos de funcionamento e resultados em competições escolares nacionais, mas continuava treinando em pista de terra. Na época, a Globo informou que a iniciativa estava mudando a vida de mais de 100 crianças no sertão baiano.
Um ponto pesou na escolha: o objetivo declarado do professor não era uma melhoria pessoal, e sim criar melhores condições de treino e de estudo para os alunos.
Como a comunidade construiu a nova sede da escolinha?
A comunidade de Flamengo construiu a nova sede da Escolinha de Atletismo Flamengo por meio de um mutirão realizado enquanto Ferreirinha estava fora do povoado, a convite do programa. Segundo o Portal Jaguarari, cerca de 40 moradores participaram da obra ao lado da equipe do Caldeirão do Huck.
Até então, os treinamentos aconteciam na pista de terra batida aberta pelo próprio professor, com materiais que não haviam sido pensados para funcionar como equipamentos de um centro de treinamento. Com a nova sede, as crianças passaram a contar com um espaço preparado para a prática esportiva.
(Foto: João Carvalho/Portal Jaguarari)
Quando a nova sede foi entregue e o que a escolinha recebeu?
A nova sede da Escolinha de Atletismo Flamengo foi entregue em maio de 2014. Além da estrutura, o projeto recebeu aparelhos de ginástica, bicicletas, uma motocicleta e um cheque de R$ 10 mil destinado à manutenção das atividades, segundo o registro publicado pelo Portal Jaguarari em 6 de maio de 2014.
A escolinha também recebeu, da Pista e Campo, uma remessa de material específico de atletismo: sapatilhas, blocos de partida, barreiras, colchões, dardos, discos, pesos, martelos e equipamentos variados de preparação física, de cones a cintos de tração.
Em projetos de iniciação esportiva, esse tipo de estrutura muda a natureza do treino: com espaço adequado, implementos regulamentares e equipamento de preparação física, o professor consegue organizar sessões por objetivo, velocidade, resistência, força, técnica de lançamento, em vez de adaptar tudo ao material disponível.
Qual foi a doação da Pista e Campo para a Escolinha de Atletismo Flamengo?
A Pista e Campo participou da ação de 2014 doando materiais esportivos para a Escolinha de Atletismo do professor Ferreirinha. O registro publicado pelo Portal Jaguarari em 6 de maio de 2014 documenta a colaboração da empresa com a iniciativa.
Segundo o relato da gerência da Pista e Campo, a remessa reuniu material das principais frentes de treino do atletismo:
- Corridas e velocidade: sapatilhas de atletismo e blocos de partida.
- Barreiras: barreiras de treino para as provas com obstáculos.
- Lançamentos e arremessos: dardos, discos, pesos e martelos.
- Saltos: colchões de amortecimento.
- Preparação física: equipamentos variados, de cones a cintos de tração.
Para um projeto que treinava com pneus, pedras e colchões improvisados, a diferença não estava só na quantidade de material, mas na cobertura: pela primeira vez, a escolinha teve implementos específicos para provas que não podiam ser treinadas com adaptação, como os lançamentos e arremessos. Junto com a nova sede, a doação acelerou a estrutura de um trabalho que já funcionava havia oito anos.
O que aconteceu com o projeto depois do Caldeirão do Huck?
Em janeiro de 2015, sete meses depois da primeira exibição, o Caldeirão do Huck voltou a apresentar Ferreirinha, dessa vez ao lado de alunos que mostraram medalhas conquistadas em competições. Segundo a publicação da Globo, cerca de 200 crianças recebiam apoio do projeto naquele momento.
O crescimento não foi linear. Em 2017, o professor informou ao portal do Ministério do Esporte que a escolinha atendia cerca de 100 crianças de 5 a 18 anos e que participava pela sexta vez dos Jogos Escolares da Juventude, se consolidando no calendário competitivo nacional.
Quais resultados os atletas da escolinha conquistaram?
Os atletas da Escolinha de Atletismo Flamengo acumulam resultados em competições nacionais desde pelo menos 2012, com concentração nas provas de fundo, meio-fundo e velocidade prolongada. Três registros marcam essa trajetória.
Ainda na fase da pista de terra batida, em setembro de 2012, o projeto levou 12 jovens às Olimpíadas Escolares em Poços de Caldas (MG), onde Náviny chegou à final dos 1.000 metros com o oitavo melhor tempo da classificatória.
Nos Jogos Escolares da Juventude de 2019, em Blumenau, a escolinha conquistou duas medalhas: Adriano dos Santos, então com 17 anos e estudante do Colégio Walter Brandão, foi prata nos 400 metros e nos 800 metros, segundo o Comitê Olímpico do Brasil.
Em julho de 2026, a equipe disputou o 45º Troféu Brasil Interclubes Loterias Caixa de Atletismo, realizado entre 23 e 26 de julho no Estádio Ícaro de Castro Melo, o Ibirapuera, em São Paulo, com três atletas inscritas: Núbia de Oliveira Silva, Kamila Alexia e Jéssica Ladeira. Núbia venceu os 10.000 metros rasos e também subiu ao pódio nos 5.000 metros. Kamila Alexia, que chegou ao grupo em 2026, disputou os 1.500 metros depois de conquistar o título dos 800 metros no Troféu Norte Nordeste, em Recife.
Por que projetos de atletismo de base são importantes para crianças e jovens?
Projetos de atletismo de base são importantes porque a modalidade reúne corridas, saltos, lançamentos, arremessos e marcha atlética em um só ambiente de treino, permitindo que a criança experimente diferentes padrões de movimento antes de se especializar. Essa variedade amplia a chance de identificação de talento: um aluno que não se destaca na velocidade pode encontrar seu espaço no fundo, na marcha ou nas provas de campo.
As provas de campo, aliás, são as que mais dependem de material adequado. Peso, dardo, disco e martelo têm massa e dimensão definidas por categoria e idade, e não admitem improviso seguro; o guia de arremesso e lançamento no atletismo detalha as especificações de cada implemento.
Há ainda o efeito que não aparece em súmula: rotina, disciplina, convivência e vínculo com a comunidade. No caso da Escolinha de Atletismo Flamengo, o treinamento esportivo tornou-se parte da vida de crianças e jovens de um povoado do sertão baiano e, na leitura do próprio Ferreirinha, uma forma de dar visibilidade a demandas que iam além do esporte, como a construção de um colégio novo.
Qual é o legado da Escolinha de Atletismo Flamengo?
O legado da Escolinha de Atletismo Flamengo está na continuidade: o projeto criado em 2006 segue ativo vinte anos depois, formando atletas que competem no nível mais alto do atletismo brasileiro. A repercussão televisiva de 2014 não deu início à trajetória: quando o programa chegou, o projeto já tinha oito anos e já havia levado atletas a uma final de etapa nacional das Olimpíadas Escolares.
O que a exposição fez, junto com o mutirão e as doações de parceiros como a Pista e Campo, foi acelerar a estrutura. E estrutura é um dos três elementos que todo projeto esportivo comunitário precisa manter simultaneamente: espaço de treino adequado, implementos compatíveis com as provas praticadas e alguém responsável pela continuidade do trabalho. O mutirão de cerca de 40 moradores resolveu o primeiro em maio de 2014. As doações resolveram o segundo. A permanência de Ferreirinha à frente do projeto resolveu o terceiro, e é o único dos três que nenhuma ação externa consegue substituir.
A distância entre uma pista de terra batida aberta em terreno baldio e o pódio dos 10.000 metros do Troféu Brasil é a medida do que o atletismo de base consegue produzir quando esses três elementos se mantêm juntos.
Perguntas frequentes sobre a Escolinha de Atletismo Flamengo
Onde fica a Escolinha de Atletismo Flamengo?
A Escolinha de Atletismo Flamengo fica no povoado de Flamengo, no município de Jaguarari, a cerca de 409 km de Salvador, no sertão da Bahia. O projeto funciona em sede própria desde maio de 2014, quando uma nova estrutura de treinamento foi construída em mutirão pela comunidade, com cerca de 40 moradores envolvidos.
A Escolinha de Atletismo Flamengo ainda está em atividade?
Sim. O projeto segue ativo e compete no calendário nacional. Em julho de 2026, a equipe, identificada como EAF Jaguarari, participou do 45º Troféu Brasil Interclubes de Atletismo, em São Paulo, com três atletas inscritas, e conquistou o título dos 10.000 metros rasos com Núbia de Oliveira Silva.
Qual é o nome completo do professor Ferreirinha?
O nome completo é Antônio Ferreira Bonfim Filho. Ele é conhecido como Ferreirinha e comanda a Escolinha de Atletismo Flamengo, em Jaguarari (BA), desde 2006, quando começou ensinando atletismo à própria filha. Atua como treinador da equipe em competições nacionais até hoje.
Quem foi a primeira aluna da Escolinha de Atletismo Flamengo?
A primeira aluna foi Náviny, filha de Ferreirinha, que se tornou a primeira corredora do povoado de Flamengo. Em setembro de 2012, aos 13 anos, foi a única entre os 12 jovens do projeto a alcançar uma final nas Olimpíadas Escolares, na disputa dos 1.000 metros, em Poços de Caldas (MG).
Que atletas foram formados na Escolinha de Atletismo Flamengo?
A atleta de maior destaque é Núbia de Oliveira Silva, tricampeã consecutiva dos 10.000 metros no Troféu Brasil e vencedora do título sul-americano de corrida de rua. Nos Jogos Escolares da Juventude de 2019, Adriano dos Santos conquistou prata nos 400 e nos 800 metros pelo projeto.
Quantas crianças participavam da Escolinha de Atletismo Flamengo?
O número variou conforme o período. Em 2012, o projeto reunia mais de 100 crianças e adolescentes de 8 a 17 anos. Em janeiro de 2015, a Globo registrou cerca de 200. Em 2017, Ferreirinha informou ao portal do Ministério do Esporte que atendia cerca de 100 crianças de 5 a 18 anos.
Qual foi a participação da Pista e Campo no projeto?
A Pista e Campo doou materiais esportivos para a Escolinha de Atletismo do professor Ferreirinha durante a ação de 2014, conforme registro publicado pelo Portal Jaguarari em 6 de maio de 2014. A remessa incluiu implementos de lançamento, sapatilhas, blocos, barreiras, colchões e material de preparação física.
Como uma escolinha de atletismo pode conseguir material esportivo?
Os caminhos mais usados são leis de incentivo ao esporte, editais de prefeitura e de governo estadual, parcerias com federações estaduais filiadas à CBAt e doações diretas de empresas do setor. Projetos com CNPJ e prestação de contas organizada têm acesso a mais linhas de apoio.
A Pista e Campo e o atletismo de base
A Pista e Campo esteve na ação de 2014 que transformou a estrutura da Escolinha de Atletismo Flamengo. Recuperar esse registro mais de uma década depois mostra o que o atletismo de base produz quando o material chega: um projeto que treinava com pneus e pedras em terreno baldio hoje tem uma tricampeã brasileira dos 10.000 metros.
É por isso que implemento certo importa. Dardo, disco, peso e martelo têm massa e dimensão definidas por categoria e idade; barreiras, blocos e colchões precisam atender às especificações da prova. Conheça a linha completa de implementos de atletismo da Pista e Campo.



















