Paratênis de mesa: classes, regras e atletas brasileiros

Pista e Campo
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O paratênis de mesa é o tênis de mesa praticado por atletas com deficiência física ou intelectual, dividido em 11 classes esportivas. Cadeirantes competem nas classes 1 a 5, andantes nas classes 6 a 10 e atletas com deficiência intelectual na classe 11. Mesa, rede, bola e raquete são as mesmas do tênis de mesa convencional. A principal adaptação de regra está no saque recebido por atletas cadeirantes, que não pode sair pela lateral da mesa nem voltar em direção à rede.

Para competir, todo atleta recebe uma classe esportiva: um número de 1 a 11 que indica o tipo e o grau da deficiência. As provas reúnem atletas da mesma classe ou de classes próximas, para que a disputa seja equilibrada. Se você tem uma deficiência, ou treina alguém que tem, o primeiro passo para competir é descobrir qual é a sua classe.

Neste guia você vê como a modalidade funciona, como a classe é definida, quais regras mudam para cadeirantes, como ler os códigos das provas paralímpicas, quem são os principais atletas do Brasil e como começar a jogar.

Como funciona o paratênis de mesa?

O paratênis de mesa segue as Leis do Tênis de Mesa da ITTF (Federação Internacional de Tênis de Mesa), com provas separadas para cadeirantes, andantes e atletas com deficiência intelectual. Há disputas individuais, de duplas e por equipes, conforme a competição. Nos Jogos de Paris 2024, o programa teve só simples e duplas, com as duplas de volta pela primeira vez desde 1976 (ITTF). No Brasil, a modalidade é administrada pela Confederação Brasileira de Tênis de Mesa (CBTM).

O paratênis de mesa entrou no programa paralímpico em Roma 1960, inicialmente só com cadeirantes. Os atletas andantes estrearam em Toronto 1976, mesma edição em que o Brasil disputou a modalidade pela primeira vez (CPB).

Nas competições paralímpicas, as partidas de paratênis de mesa são em melhor de cinco sets de 11 pontos. Em caso de 10 a 10, vence o set quem abrir dois pontos de vantagem (CPB; Leis do Tênis de Mesa, regra 2.11.1, Estatutos ITTF 2026). Nos torneios individuais da CBTM, o número de sets pode variar conforme o número de inscritos e é informado na circular de cada evento (Manual do Tênis de Mesa 2026, item 1.9.1.9).

Atletas andantes do paratênis de mesa jogam com as mesmas normas do tênis de mesa convencional. As adaptações de regra atendem principalmente aos cadeirantes: o saque recebido por um cadeirante não pode sair pela lateral nem voltar à rede, e o atleta precisa manter a coxa em contato com o assento ao golpear.

Para as regras gerais da modalidade, veja o guia de regras do tênis de mesa.

Quais são as classes do paratênis de mesa?

O paratênis de mesa tem 11 classes esportivas, organizadas em três grupos:

Classes Quem compete Como joga
1 a 5 Atletas com deficiência física cadeirantes Sentado, em cadeira de rodas
6 a 10 Atletas com deficiência física andantes Em pé
11 Atletas com deficiência intelectual Em pé

Nas classes de deficiência física do paratênis de mesa (1 a 10), quanto maior o número, menor o comprometimento físico-motor do atleta. Um atleta da classe 1 tem o maior comprometimento entre os cadeirantes; um da classe 10, o menor entre os andantes.

Para o detalhe de cada uma das 11 classes, veja o guia das classes do tênis de mesa paralímpico.


Como a classe do atleta é definida no paratênis de mesa?

No Brasil, a classe de atletas com deficiência física no paratênis de mesa é definida por classificação funcional, feita por classificador credenciado pela CBTM ou pela ITTF, conforme o regulamento do Comitê de Paratênis de Mesa da ITTF (Manual do Tênis de Mesa 2026, CBTM, item 1.6.1). A avaliação mede amplitude de movimento, força muscular, restrições de locomoção, equilíbrio na cadeira de rodas e capacidade de segurar a raquete (CPB).

Pelo Manual do Tênis de Mesa 2026 da CBTM, a classificação no paratênis de mesa brasileiro segue estas regras:

  • Classificação obrigatória: novos atletas com deficiência física precisam passar pela classificação funcional antes de competir nas categorias paralímpicas (item 1.6.1.1).
  • Quatro níveis: provisório, regional, nacional e internacional. A classificação feita pela ITTF prevalece sobre a da CBTM (itens 1.6.1.4 e 1.6.1.13).
  • Avaliação remota limitada: vale apenas para Copa Brasil, torneios estaduais e regionais. Antes de qualquer Campeonato Brasileiro, a avaliação presencial é obrigatória (item 1.6.1.6).
  • Deficiência intelectual (classe 11): a elegibilidade é definida pela Confederação Brasileira de Desportos para Deficientes Intelectuais (CBDI), com revalidação anual (item 1.6.3).
  • Reclassificação: pode ser pedida pelo atleta ou pelo clube, com laudos e exames enviados com até 20 dias de antecedência. Atletas com classificação internacional só são reclassificados pela ITTF (itens 1.6.1.7 a 1.6.1.10).

Em competições escolares, a regra pode ser mais simples. No Circuito Escolar Paralímpico 2026, do Comitê Paralímpico Brasileiro (CPB), alunos sem classificação recebem a classe pela análise dos documentos médicos enviados. O regulamento deixa claro que esse procedimento não é classificação funcional, apenas comprovação de elegibilidade mínima para o evento (Regulamento Específico do Tênis de Mesa, Art. 4º). Para competições federadas, a classificação funcional continua obrigatória.

Quais regras mudam para cadeirantes no paratênis de mesa?

No paratênis de mesa, quando o recebedor joga em cadeira de rodas, o saque é anulado e repetido (let) se a bola, depois de tocar a mesa dele, voltar em direção à rede, parar sobre a mesa ou, na simples, sair pela linha lateral (Leis do Tênis de Mesa, regra 2.9.1.5, Estatutos ITTF 2026). O saque válido contra um cadeirante sai pela linha de fundo.

A regra do saque existe porque o atleta cadeirante tem alcance lateral limitado. Um saque curto e cruzado, que sai pela lateral, seria praticamente indefensável para quem joga sentado.

Quando os dois jogadores ou duplas são cadeirantes, as Leis da ITTF também dão o ponto ao adversário se o atleta (regra 2.10.1.14):

  • perder o contato mínimo da parte de trás da coxa com o assento ou a almofada no momento do golpe;
  • tocar a mesa com qualquer uma das mãos antes de golpear a bola;
  • encostar o pé ou o apoio de pé no chão durante o ponto.

Nas duplas com pelo menos um cadeirante, as regras também mudam:

  • depois do saque e da devolução, qualquer jogador da dupla com cadeirante pode rebater, sem a alternância obrigatória das duplas convencionais (regra 2.8.3);
  • nenhuma parte da cadeira de rodas, nem o pé do parceiro andante, pode cruzar o prolongamento imaginário da linha central da mesa (regra 2.10.1.15).

A mesa também é adaptada: em provas de cadeirantes, os pés da mesa ficam a pelo menos 40 cm da linha de fundo, para não bloquear a aproximação da cadeira (regra 3.2.1.4, Estatutos ITTF 2026).

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O que significam os códigos WS10, WD20 e MD18 no paratênis de mesa?

Os códigos das provas do paratênis de mesa combinam gênero, tipo de prova e classe. A primeira letra indica o gênero (W para feminino, M para masculino), a segunda o tipo de prova (S para simples, D para duplas) e o número indica a classe.

Código Prova
WS10 Simples feminino, classe 10 (andantes)
WD5 Duplas femininas de cadeirantes
WD20 Duplas femininas de andantes
MD18 Duplas masculinas de andantes

Nas duplas do paratênis de mesa, o número do código é a soma das classes dos dois atletas. Na WD20, por exemplo, uma dupla de duas atletas da classe 10 soma 20. A regra segue o regulamento do Comitê de Paratênis de Mesa da ITTF e é adotada pela CBTM, que disputa no Brasil as categorias MD4, MD8, MD14, MD18 e MD22 no masculino, WD5, WD10, WD14, WD20 e WD22 no feminino, e XD4 a XD22 nas duplas mistas (Manual do Tênis de Mesa 2026, item 1.8.3.2.1).

Quem são os principais atletas brasileiros do paratênis de mesa?

O Brasil estreou no paratênis de mesa em Toronto 1976 e conquistou sua primeira medalha em Pequim 2008. A melhor campanha da história foi no Rio 2016, com quatro medalhas, e em Tóquio 2020 o país somou mais três (CPB). Em Paris 2024, foram quatro bronzes, e o país chegou a 12 medalhas paralímpicas na modalidade: três pratas e nove bronzes, segundo a CBTM (Jornal do Brás).

Nos Jogos Paralímpicos, os dois atletas eliminados nas semifinais do tênis de mesa recebem o bronze, sem disputa de terceiro lugar. Em Paris 2024, todas as partidas foram em melhor de cinco sets e as provas tiveram eliminatória simples do início ao fim (Livro de Resultados de Paris 2024, IPC). No Mundial de Paratênis de Mesa da ITTF, ao contrário, há disputa pelo bronze (Estatutos ITTF 2026, regra 4.7.11.1).

Bruna Alexandre

Bruna Alexandre é a maior medalhista do paratênis de mesa brasileiro. Natural de Criciúma (SC), teve o braço direito amputado aos seis meses de vida e começou no tênis de mesa aos 12 anos. Conquistou dois bronzes no Rio 2016, uma prata e um bronze em Tóquio 2020 e dois bronzes em Paris 2024, na simples e nas duplas WD20. Foi também a primeira atleta paralímpica brasileira a disputar os Jogos Olímpicos, em Paris 2024. São seis medalhas paralímpicas em três edições (Lance).

Danielle Rauen

Danielle Rauen, parceira de Bruna Alexandre nas duplas, conquistou o bronze na prova WD20 em Paris 2024. Foi sua terceira medalha paralímpica, todas de bronze (Agência Brasil, via Imirante). No Rio 2016 e em Tóquio 2020, Danielle Rauen e Bruna Alexandre ganharam o bronze por equipes, ao lado de Jennyfer Parinos (Agência Gov).

Cátia Oliveira e Joyce Quinzote

Cátia Oliveira e Joyce Quinzote conquistaram o bronze nas duplas WD5, de atletas cadeirantes, em Paris 2024. Foi a primeira medalha do Brasil no tênis de mesa naqueles Jogos. Cátia Oliveira já tinha conquistado o bronze individual em Tóquio 2020 (CPB). Para Joyce Quinzote, foi a primeira medalha paralímpica da carreira (Forbes Brasil).

Cláudio Massad e Luiz Manara

Cláudio Massad e Luiz Manara conquistaram o bronze nas duplas masculinas MD18 em Paris 2024. Na semifinal, a dupla perdeu para a China por 3 sets a 1 (Agência Gov).

Israel Stroh

Israel Stroh conquistou a prata na disputa individual do paratênis de mesa no Rio 2016, na mesma edição em que Bruna Alexandre levou o bronze individual (CPB).

Welder Knaf e Luiz Algacir

Welder Knaf e Luiz Algacir conquistaram a prata por equipes da classe 3, de atletas cadeirantes, em Pequim 2008. Foi a primeira medalha paralímpica do Brasil no tênis de mesa e a única até o Rio 2016 (IPC; CPB).

Como começar a jogar paratênis de mesa?

Para começar no paratênis de mesa, o caminho é encontrar um clube preparado, aprender os fundamentos, reunir a documentação médica e disputar competições de base:

  • Procure um clube ou projeto. Nem todos os clubes filiados à Confederação Brasileira de Tênis de Mesa (CBTM) atendem atletas paralímpicos, então ligue antes. Para competir oficialmente, o atleta precisa estar vinculado a um clube registrado na confederação.
  • Comece pelos fundamentos. Forehand, backhand, saque e posicionamento são o ponto de partida, como para qualquer jogador.
  • Reúna a documentação médica. Os laudos são usados na avaliação que atribui a classe esportiva.
  • Dispute competições de base. O Circuito Escolar Paralímpico, do CPB, é a principal porta de entrada para alunos em idade escolar. Os destaques estaduais seguem para as Paralimpíadas Escolares, competição nacional do CPB com tênis de mesa para atletas de 10 a 17 anos (A União).

Como funciona o tênis de mesa no Circuito Escolar Paralímpico?

No Circuito Escolar Paralímpico 2026, o tênis de mesa aceitou alunos de 11 a 17 anos, de ambos os gêneros, das classes 1 a 11. As regras abaixo são do Regulamento Específico do Tênis de Mesa do CPB para a edição de 11 de abril de 2026:

Item Regra na edição 2026
Categorias Sub12 (nascidos em 2014–2015), Sub14 (2012–2013) e Sub17 (2009–2011)
Provas Individual, separada em classes 1–5, 6–10 e 11
Inscrição Até 4 alunos por gênero em cada categoria, por equipe; atletas independentes aceitos
Partidas Melhor de 3 sets de 11 pontos; finais em melhor de 5
Muitos inscritos Com mais de 15 atletas na mesma classe, jogos podem ser de 1 set
3º lugar Disputado em provas com 6 ou mais participantes
Uniforme Proibido camisa e bermuda brancas e uso de boné
Horário Aquecimento a partir das 7h30, jogos a partir das 9h; chegada 30 minutos antes do primeiro jogo

As inscrições são feitas por formulário eletrônico indicado no regulamento de cada edição (Art. 13º). Como as faixas etárias mudam todo ano pelo ano de nascimento, confira o regulamento vigente no site do CPB antes de inscrever o aluno.

O paratênis de mesa usa equipamento diferente?

Não: no paratênis de mesa, mesa, rede, bola e raquete seguem o padrão oficial do tênis de mesa convencional. No Circuito Escolar Paralímpico 2026, por exemplo, a organização usou no mínimo 4 mesas oficiais e bolas oficiais brancas (Art. 10º).

A raquete do jogador de paratênis de mesa deve ser escolhida pela empunhadura e pelo nível de controle desejado. Para quem está começando, uma raquete de controle, com borrachas mais lentas, facilita a consistência nas trocas de bola. Veja as diferenças no guia de raquete de controle ou ataque.

A Pista e Campo reúne opções para iniciantes na linha de raquetes e borrachas de tênis de mesa.

Cadeiras de rodas, próteses e órteses são de responsabilidade do atleta e da equipe. Em competições de base, a organização pode disponibilizar alguns desses materiais, mas o CPB recomenda que cada participante use os próprios (Regulamento do Circuito Escolar Paralímpico 2026, Art. 5º).

Por onde seguir no paratênis de mesa?

O paratênis de mesa começa pela classe esportiva: é ela que define as provas e os adversários do atleta. Com um clube preparado, laudos em mãos e o Circuito Escolar Paralímpico como primeira competição, o caminho até as provas federadas fica claro. Os resultados de Bruna Alexandre e das duplas brasileiras em Paris 2024 mostram que esse caminho leva ao pódio.

Para montar o primeiro kit, confira toda a linha de tênis de mesa da Pista e Campo.

Perguntas frequentes sobre paratênis de mesa

Quantas classes existem no paratênis de mesa?

O paratênis de mesa tem 11 classes esportivas. As classes 1 a 5 são de atletas cadeirantes, as classes 6 a 10 de atletas andantes e a classe 11 de atletas com deficiência intelectual. Nas classes de deficiência física, quanto maior o número, menor o comprometimento físico-motor do atleta.

Cadeirante pode jogar tênis de mesa contra quem joga em pé?

Em competições oficiais de paratênis de mesa, não: cadeirantes (classes 1 a 5) e andantes (classes 6 a 10) disputam provas separadas, e a CBTM proíbe juntar as duas categorias mesmo quando faltam inscritos (Manual do Tênis de Mesa 2026, item 1.9.1.19.3). Em treinos e jogos recreativos, o confronto é possível, desde que o saque contra o cadeirante siga a regra da ITTF.

Tem disputa de bronze no tênis de mesa paralímpico?

Nos Jogos Paralímpicos, não: os dois atletas eliminados nas semifinais do tênis de mesa recebem o bronze. No Mundial de Paratênis de Mesa da ITTF, há disputa de bronze. Nas competições de duplas paralímpicas da CBTM, os perdedores das semifinais ficam em 3º lugar. No Circuito Escolar Paralímpico 2026, houve disputa de 3º lugar nas provas com 6 ou mais participantes.

Quantas medalhas o Brasil tem no tênis de mesa paralímpico?

O Brasil tem 12 medalhas paralímpicas no tênis de mesa: três pratas e nove bronzes. A primeira foi a prata por equipes de Welder Knaf e Luiz Algacir em Pequim 2008. Depois vieram quatro medalhas no Rio 2016, três em Tóquio 2020 e quatro bronzes em Paris 2024. A maior medalhista do país é Bruna Alexandre, com seis.

Criança com deficiência pode competir no tênis de mesa?

Sim. O Circuito Escolar Paralímpico, organizado pelo Comitê Paralímpico Brasileiro, tem provas de tênis de mesa para alunos com deficiência física ou intelectual. Na edição 2026, participaram alunos de 11 a 17 anos, nas categorias Sub12, Sub14 e Sub17, de todas as 11 classes.

Precisa de laudo médico para jogar paratênis de mesa?

Para competir, sim: no paratênis de mesa, o laudo médico é a base para atribuir a classe esportiva. Em eventos escolares, como o Circuito Escolar Paralímpico, o laudo pode bastar. Em competições da CBTM, atletas com deficiência física passam por classificação funcional obrigatória, e atletas com deficiência intelectual precisam do registro na CBDI.

Ana Karolina Oliveira
Ana Karolina Oliveira
Jornalista e Criadora de Conteúdo da Pista e Campo, com foco em esportes, performance e bem-estar